Sopa festeja sua padroeira

Desde menino ouço as pessoas falando: "é...fulano não é sopa, não! ...você pensa que isso é sopa?"... Confesso que sempre escutei esses e outros ditos sem nunca entender a razão de iguaria tão querida na mesa brasileira ter entrado nesse tipo de citação como algo assim muito supimpa, que tanto pode exprimir valentia, qualidade rara, como, simplesmente, aguçar nosso apetite nas noites friorentas desta região montanhosa em que vivemos. No último domingo, porém, fui assistir ao encerramento da Festa de Santa Rita, na Sopa, esse pequeno e bucólico distrito de Diamantina, situado a nada menos que 1380 metros de altitude. Já no curto trecho de estrada de terra que o liga a Diamantina, impressionou-me o número de veículos que por ali trafegava. E bem antes de chegar lá, pude ver que a própria estrada ia se transformando em estacionamento, pois a rua principal e suas laterais já estavam apinhadas de carros, em meio a mil barracas, um grande palco, e um verdadeiro parque infantil de brinquedos para a criançada que, muito à vontade, se esbaldava por entre a multidão. A bela igreja, erguida na parte mais alta e no centro de um adro espaçoso e panorâmico, mostrava que Santa Rita e São Sebastião estão no coração de seus fiéis, até pela altura em que os dois compridos mastros ali plantados expunham as bandeiras a eles devotadas. No grande palco, tocavam e cantavam os coroas do Grupo Nunsey, última revelação dos meios boêmios e botequeiros da velha Diamantina. Parabéns aos animados festeiros, Hélio e Angélica, que, além de mostrarem muita competência para honrar a lendária tradição festeira do povo de Sopa, souberam manter, em meio a muita fartura de bebidas e comidas, o espírito de fé e de religiosidade em que nasceram todas as grandes diamantinenses.